A Loucura tem Método
Escolher alguma atividade física (e CONTINUAR: essa é a parte hard), voltar a pedalar, ir mais vezes ao cinema ou parar de desejar mal às pessoas que tenho ranço. Para todas essas atividades eu ainda tenho um ano INTEIRO pela frente para falhar com tranquilidade, sem pressa.
O ano MAL COMEÇOU e eu já adicionei uma lista de coisinhas e atividades que pretendo realizar. O MEU ainda vai iniciar, viu? Se você está com pressa e já olhando o loading de quantos por cento do ano já foi, saiba que isso é um problema EXCLUSIVAMENTE SEU. Não traga seus problemas para mim. Não quero saber e tenho raiva de quem sabe.
Seriam as metas de início de ano um artefato do mal originado dos cortes de rolos de filmagem das obras de Lars Von Trier, uma pústula do mal puro para nos fazer sofrer periodicamente? Não vejo outra explicação mais simples e plausível que esta.
Ao organizar a minha LISTA MASTER de pequenas obsessões identifiquei um padrão: elas são uma tentativa TARDIA de retomar o controle do que é meu. O que escrevo, o que vejo, o que leio, ouço (estou fora do Spotify há meses) e até mesmo sobre o que converso.
Meter a mão na brasa, se queimar e xingar alguém que não existe. É DISSO que estou falando.
Tudo se iniciou quando resolvi organizar o meu Obsidian, um app de anotações metido a besta e cheio de plugins. Um deleite para quem se diz OUTSIDER mas não larga a mão de um auto microgerenciamento.
Caminhos Estranhos
Estou fincando minhas estacas, criando minha cerquinha e impondo limites. Se o mundo está secando mananciais e mentes com tanta IA e feeds infinitos, eu dei alguns passos atrás. Decidi retornar para a blogagem raiz e para o mundo físico também.
Minha agenda de pessoas esquecidas é a primeira coisa que preencho antes de iniciar meu dia de trabalho. Disso eu só lembro porque já a deixo aberta ao lado do teclado. Anoto tudo não como um registro do que precisa ser feito, mas como uma lembrança de que estou em MOVIMENTO. Sigo ruelas, dobro esquinas, volto para o ponto de partida. E daí?
Comprei uma impressora para fazer Zines. Qual o propósito? Acho que nenhum, ainda. Criei um site no Neocities para reescrever antigos posts que só o Archive.org salvou. Para quem é das antigas, é como o FINADO Geocities: sites bregas, gifs escandalosas e até marquee. Não tem espaço de comentários, mas tem meu ICQ e meu MSN. Me adicionem.
Puxei meu laptop antigo, carcomido pelo salitre e pela poeira, para criar um servidor pessoal. “Home Lab”, grita o entusiasta., bem na hora que o repórter do folhetim digital se aproxima da mãe dele e pergunta: “A senhora sabe que seu filho está envolvido com negócio de SELF-HOSTING?”
Minhas histórias
Tem um cachorro do futuro atravessando o Recôncavo Baiano num carro elétrico de mais de cem anos na minha cabeça desde 2024. Reescrever as primeiras versões de “Oxe, o Cachorro vai Também” é um exercício de revisitar lugares que ainda preciso lapidar. Era apenas sci-fi de comédia baiana, já está se tornando CYBERPUNK ECO-SOCIALISTA COM PENSAMENTOS INTRUSIVOS. Seja lá o que isso signifique.
Fiz uma limpa nos editais que moravam, sem pagar aluguel, dentro das minhas mensagens salvas no telegram: todos já expiraram e eu sequer tentei enviar um conto. Talvez seja melhor concluir minhas histórias inacabadas e ver onde elas se encaixam, em vez de tentar caber em lugares onde sequer tenho tempo de ler as regras.
Só que, ao invés de concluir tarefas, eu invento novidades excelentes e INÚTEIS. Sem saber como resolver meu cachorro que guia carro sem motorista, resolvi estudar arquétipos e criei o Motor de Tramas: 104 cartas com meus desenhos tortos que a IA não consegue fazer igual. O projeto já está no ar, servindo de prova que até a loucura tem método. Melhor dizendo: é mangue, mas não é a ovo não.
Meta aí, lá ele
Minhas metas se disfarçam de ATOS DE SOBERANIA por falta de coragem de nomeá-las como procrastinação. Ao invés de simplesmente subir na bicicleta e pedalar, eu entro num debate interno efusivo e teatral sobre como ela deve se tornar uma “bike de passeio” e não um objeto de competição: leve, trépido, feio.
Não chamo nada de “meta”, senão parece trabalho. E, com essa psicologia reversa, já fiz um monte de coisas este ano. O que é INACREDITÁVEL. Já li livros, vi filmes e criei sites.
Ninguém pediu porra de nada, mas vou deixar minha listinha de projetos pessoais aqui (que deve crescer seguindo a sequência de Fibonacci).
🌀 Minhas Loucuras (Master List)
✍️ Literatura
- [ ] Oxe, o Cachorro vai Também (Status: Reescrever) – Roadtrip cyberpunk no Recôncavo Baiano.
- [ ] Livro de Crônicas (Status: Ideia) – Organizar o caos em formato de ebook. Selecionar melhores textos da newsletter
- [x] Motor de Tramas (Status: Pronto) – Meu baralho narrativo.
- [x] Sombras, Fantasmas e dois Charutos Fumegantes (Status: Pronto) – Meu primeiro livro.
🛠️ Vida e Armengues
- [ ] Bike de Passeio Real (Status: Preguiça de meter a mão) 🚲
- [ ] Servidor Z400 (Status: Escolhendo a melhor chave de fenda para abrir o laptop) 🖥️ – O renascimento do notebook de salitre. Parte 1 de 99 do projeto da minha independência digital, ter meu próprio servidor pessoal, sair do Google Drive, ter minha própria newsletter e não precisar ficar vendo dicas de crescimento e palestrinhas aqui no Substáquio.
- [x] Divisória Home Office (Status: Concluída) - Tive que migrar meu escritório para sala. Passei meses pensando em projetos mil, colocar ripas, descer badulaques do teto, comprar estantes vazadas caríssimas e resolvi tudo simplesmente comprando um Biombo. Quando preciso de privacidade para alguma reunião, abro ele atrás de mim (lá ele) e pronto.
💻 Internet e Web
- [ ] Site Neocities (Status: Pronto) – O bunker vintage. Inútil mas ficou lindo com o Psyduck que peguei do meu primeiro blog criado em 2001.
🕹️ Games
- [ ] Círculo de 8 (Godot) (Status: Aprendendo) - Tive a maravilhosa ideia de criar um jogo baseado no meu livro, até aí tudo bem. Só que deixar um game bonito é tão difícil que devo desistir em breve. Na verdade eu já desisti, só finjo que não.
- [ ] Kit RPG Grátis (Status: Curadoria) - Se não tenho tempo para jogar RPG de mesa com amigues, porque não criar uma aventura solo em formato de ebook para nunca jogar? Estou empolgado com essa possibilidade.
E você? Já começou a construir seu próprio bunker ou ainda está esperando o ano carregar?
E me diga: você é do time que gosta de complicar tudo para tornar mais emocionante e ter uma desculpa para quando não concluir porra nenhuma dizer que foi por causa que tinha muita coisa para fazer?
Se quiser trocar ideia, estou me espalhando por aí:
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