A Disney veio a Salvador, mas Salvador não foi à Disney
No dia 2 de maio de 2010, que não foi mais ontem e nem registrou o início da colonização da Lua, como previam os livros que lia no final dos anos oitenta, a Disney supostamente veio a Salvador. Um grandioso evento, daqueles que todo soteropolitano já está cansado de não ver por aqui.
Uma Parada. Nome diferenciado para desfile.
A Parada Disney estava marcada para iniciar as 10:30 da manhã na Orla Marítima da cidade, a mesma localidade que o Google Maps não cansa de errar e de chamar de avenida Octávio Mangabeira. Mais de 400 mil pessoas eram esperadas para acompanhar o evento que teria duração aproximada de uma hora.
Estes eram os fatos, mas só quem era vivo naquele ano de 2010 pode presenciar o que realmente rolou na cidade. Ou melhor, não rolou.
A verdade, por mais que se esconda sabiamente antes da borboleta do Busu, disfarçada de “passa na orla Cobra?” sendo que o carro é via Paralela e, espertamente ela ande mais uns pontos sem pagar nem um conto, a verdade amigues, é uma só: Nenhum evento na Bahia de Todos os Santos e Encantos e Axé começa no horário marcado.
Existe o horário no papel, o horário divulgado e o horário real. Portanto, 10:30 era o horário fantasia na cabeça de qualquer soteropolitano que carregue dendê nas veias.
Não é que a gente aqui tenha o mal costume de chegar atrasado, nada disso, os horários são marcados apenas para saber que, dali uma ou duas horas (ou mais), o evento vai começar de verdade. Quando saímos cedo, a gente sai no horário marcado, digo, horário fantasia. E naquele dia não tinha porque ser diferente, 2 de maio às 10:30 da manhã, do ano de 2010, Salvador travou e a Parada Disney ninguém sabe, ninguém viu.

Um verdadeiro cataclisma. Parada mesmo só a cidade. Todo mundo resolveu ir de carro, a Disney quis impor seus horários, de verdade, não respeitando os costumes locais e ninguém conseguiu ver foi P.N. (porra niuma).
Meio milhão de pessoas tentando chegar ao mesmo lugar, calor, suor descendo no rego, cerveja quente nas ruas, crianças chorando querendo ver o Mickey, alvoroço, um completo caos.
Lembro que nesse dia larguei meu Corsinha 1997 em algum canto e desci picado (lá ele). Cheguei antes do horário, o ponteiro do relógio apitava onze e uns quebrados da matina. Cedo demais, mas enfim iria ver a tal Parada Disney com o Tigrão passando a mão na bunda do ursinho viciado, Pato Donald e Pluto com as camisas de Bahia e Vitória trocando tapas, seria um loucura. Só que nada disso aconteceu.
Uma hora de relógio de desfile. O percurso era pequeno. Era só correr que dava pra pegar o final, correto?
Aooonde, pivete? Nada pra ninguém!
Algumas pessoas falaram que chegaram antes do horário devido, às 10:30 da manhã e, supostamente, houve mesmo o desfile. A Parada Disney chegou a Salvador, mas saíram na 5º marcha e, tudo, não durou nem quinze minutos.
Nesse horário inglês e nessa velocidade, eu só posso acreditar que a Disney nunca veio a Salvador. Se você conhece alguém que viu esse desfile me informe e traga provas. Eu ainda aposto, mesmo quase treze anos tendo se passado que, na verdade, foi Bell Marques que estava a frente da fubica da Disney. Descendo a toda velocidade e finalmente realizando o seu sonho de acabar o carnaval o mais rápido possível. Produtividade que chama.
Primeiro texto enviado via substack, quem puder me dizer se teve alguma treta, ou se tem algo a melhorar, ficarei agradecido.
Esse ano começou numa malemolência tão grande, que resolvi reescrever um texto bem antigo, da época que as pessoas ainda usavam o Facebook.
Novos livros à vista :D
Ativei o modo Dare Devil, sem medo, e encerrei dois manuscritos neste final de 2022.
Um deles enviei para um edital que devo receber um retorno até março deste ano. Caso, por algum motivo, não seja aceito nesse edital, devo pagar uma revisão e leitura crítica e tentar lançar em outro local, ou até no formato de auto-publicação como fiz com meu Conto de Natal que recebeu elogios que me deixou bastante feliz.
Se você não leu, clica no link acima ou vai nessa edição da newsletter e cata os links grátis para ler. E se você já leu, peço que vá na Amazon e deixe um review lá, ajuda demais.

Esse livro que enviei para um edital (e já até estou “fazendo” desenhos de capa) é um em que juntei contos que de ficção científica com pitadas de apocalipse e fantasia que se passam em Salvador. Histórias separadas, mas interligadas por uma faca misteriosa.
O outro livro que terminei o primeiro rascunho, foi um que escrevi sua primeira versão em Novembro de 2020, e que finalmente tomei coragem de revisá-lo e editá-lo. São crônicas sobre um período interessante do país, ou seja, a minha infância. Esse livro eu vou contar com a revisão de um grande amigo e após isso, vou pensar onde encaixá-lo.
Já estou trabalhando em novos contos e pensando em novas histórias, algumas delas devem pintar primeiro por aqui, como sempre gosto de fazer.
Que você tenha um ano brando e que nossas esperanças encontrem afeto, carinho e um pouco de paz neste 2023.
Até a próxima 😊
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