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# Salvador, Soterópolis e a Síndrome de Sheila
- URL: https://msmelo.art.br/salvador-soteropolis-e-a-sindrome/
- Published: 2025-02-27T12:09:48.000Z
- Updated: 2026-10-07T20:05:13.000Z
- Description: 🚫 👀 Um guia quântico para evitar pessoas na rua, no carnaval, no Elevador Lacerda e na vida
- Author: Marcio Melo
- Tags: salvador, cronica

Sabe quando você está na rua e encontra alguém conhecido e sua alma abandona o corpo? Quando seu cérebro, por puro instinto, ativa **o modo camaleão**? Você não é um mutante com poderes extra-humanos, mesmo assim **procura fundir-se com o ambiente**. *Não é má vontade*. Você nem detesta (*muito*) aquela pessoa, tampouco está lhe devendo um *Pix*. É só uma falta de vontade que te come pelas beiradas.

**A preguiça social enquanto arte é um estado fluído**. A força necessária para acenar, sorrir ou, muito pior, ter que jogar conversa fora foi pro beleléu. Papo furado, amenidades, “*tá com cara que vai chover hoje hein*? *É mesmo… Esse mormaço, né? Abafado demais.*”. Parece bobo, mas tem dias que se torna um fardo pesado para lidar.

Sem *dar a seta*, você faz uma curva rápida e estratégica para a sessão de hortifrúti do supermercado, ou retorna para o corredor anterior. Fica ali, *na cocó[1](#footnote-1)*, vendo para que lado a *criatura* vai. Se preciso for, larga o carrinho na sessão de potes e *cacarecos* e finge que a vitrine da loja do outro lado da rua está exibindo o quadro real da **Monalisa**. Ele é pequeno, ao contrário do que você imaginava, **você precisa se aproximar para ver melhor**.

Sua visão era perfeita até aquele instante, mas você se descobre **subitamente** **míope**. Pior, você se dá conta que seu *astigmatismo chegou em 7.7 na escala Richter*! E o resultado disso é que todos os rostos num raio de cinquenta metros estão borrados ou apagados.

Há quem chame isso de *Síndrome da Dissimulação Tática* ou *micro esquiva social*. Eu chamo de **Síndrome de Sheila** — não, não é nenhuma das antigas dançarinas do *É o Tchan* e nem aquela do vôlei, mas sim a jovem daquele desenho antigo, *Caverna do Dragão*. Nos anos 1980, além de *charlar*[2](#footnote-2) com aquela linda peça violeta esvoaçante, Sheila já nos ensinava que, muitas vezes, **a melhor habilidade social é uma capa de invisibilidade**.

![Sheila, do desenho Caverna do Dragão, vestindo sua capa de invisibilidade e desaparecendo](https://msmelo.art.br/content/images/2026/10/5f6f15d4-aa35-4087-b18f-204b9cf0cce7_498x498.gif)

Tô invisível, tô invisível.

No mundo real **a invisibilidade é menos mágica e mais burocrática**. Me atentei a isso lendo [A Cidade e A Cidade de China Miéville](https://en-m-wikipedia-org.translate.goog/wiki/The%5FCity%5F&%5Fthe%5FCity?%5Fx%5Ftr%5Fsl=en&%5Fx%5Ftr%5Ftl=pt&%5Fx%5Ftr%5Fhl=pt&%5Fx%5Ftr%5Fpto=tc&ref=msmelo.art.br). Um livro que começa um pouco difícil, mas que guarda em suas entrelinhas uma *bíblia* para a sobrevivência urbana.

Nele, duas metrópoles — Besźel e Ul Qoma — ocupam o mesmo espaço geográfico, mas seus moradores aprendem, *desde sempre,* a “**desver**” tudo o que pertence à outra cidade. É como estar nos bairros do Stiep e Costa Azul em Salvador. Universos paralelos que coexistem no mesmo lugar e ninguém sabe onde um começa e o outro termina. A depender de pra quem você pergunte, o mesmo pedaço de chão pode ser um ou outro. É como se olhar para o “**lado errado**” fosse um crime menor, mas ainda assim punível com interrogatório, papelada e desdém.

Outro bom exemplo é **o centro histórico de Salvador**. Apesar de ser um cartão postal, ele **abriga dimensões paralelas**. Santo Antônio Além do Carmo e o Pelourinho, gêmeos separados por ladeiras íngremes com aqueles paralelepípedos escorregadios. Olhar para o lado não é, por lei, proibido, mas é um perigo comparável a uma infração municipal. Como uma pessoa que fugiu para um bairro distante a fim de esquecer as amarguras da vida, mas acabou vendo um(a) colega de trabalho com uma *figura B* que não deveria estar ali. Sim, os beijos são de língua. Não, não são artistas.

É como se deparar com aquela sua tia que você prometeu ir na casa dela para *dar uma olhada* em sua impressora “*assim que arrumar um tempinho”* bem no seu dia de folga. Ela te viu sim. Logo você, que vende dieta restritiva no Instagram, mas está ali comendo espetinho de *gato* num beco escuro do Carmo. Ou seja, *fudeu Maria Preá*[3](#footnote-3).

## 🙈 Unseeing?

Antes de mergulhar nos **três pilares científicos da esquiva soteropolitana** — sim, vou conversar sobre astigmatismo, física quântica e portais dimensionais do Carnaval de Salvador — deixe-me tentar resumir **Miéville** para quem não leu o seu livro:

> *Desver* é a arte de ignorar com a culpa de um espião duplo e a precisão de um vendedor de queijo coalho que corta seus produtos no meio fio da rua. E se você acha que isso é um exagero, nunca precisou evitar colegas chatos no meio do trio elétrico…

Eu já passei por isso, falo com propriedade. E eu estava do outro lado, eu era **um dos chatos**.

Salvador e Soterópolis são, ambas, as **capitais de um mesmo estado de todos os santos encantos e axé**. As cidades possuem suas próprias *zonas de invisibilidade*: os garçons nos bares e restaurantes são muitas vezes descritos como fantasmas; os ambulantes da praia fingem que não percebem a forma deplorável como são tratados pelos clientes; os artistas que [pintam turistas com signos da Timbalada no Pelourinho driblam o bom senso](https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&opi=89978449&url=https://www.correio24horas.com.br/verao-2024/enquanto-turistas-ainda-se-encantam-baianos-fogem-das-pinturas-da-timbalada-no-pelourinho-0124&ved=2ahUKEwi6m%5Fb2l9qLAxWIGbkGHbbDGTgQFnoECA8QAQ&usg=AOvVaw1zxpJ1WcAstdrjsHJ3U3Cs) da mesma forma que Matheuzinho, o maestro do [Fatal Model Colossal Esporte Clube Vitória](https://msmelo.art.br/se-me-chamar-eu-vou/), passeia em campo. Os exemplos são infinitos.

![capa do livro a cidade e a cidade de china mieville, uma pintura moderna futurista representando uma cidade distopica](https://msmelo.art.br/content/images/2026/10/a9170b71-1d85-40d0-b418-8a4793e0203a_696x1000-jpeg.jpg)

A Cidade e a Cidade - China Miéville.

A partir de experimentos empíricos e de todas as minhas observações e leituras, descrevo este tratado em três tópicos principais. **Um estudo que não pode ser lido na UFBA ou em qualquer outro lugar porque ele nem existe**. Ou melhor, ele *existe sim*, mas não *aqui,* e sempre que ele é encontrado, é preciso *devê-lo*.

## 1\. O Fenômeno Urbano das Esquivas Sociais (Estudo) 🤗

Eu já comentei aqui como [Salvador é perfeita para quem pretende fazer amizades](https://msmelo.art.br/manual-soteropolitano-para-amizades/), principalmente depois de uma certa idade. Apesar dessa energia que rola nas ruas, das pessoas que você topa por aí e lhe contam toda a sua vida sem você perguntar *porra de nada*, a *Síndrome da Dissimulação Tácita*, popularmente conhecida como **Síndrome de Sheila**, pode ser observada. Em algumas situações, inclusive, se faz necessária.

A(s) capital(is) baiana(s), assim como outras grandes cidades, possuem **camadas que coexistem**. A dos que cumprimentam todo mundo, e a dos que atravessam a rua para evitar convites para jantares em dias de domingo, compras de perfumes em bandejas de isopor, ou se associar a grupos de ciclistas. Basta saber *desver* ou *micro esquivar-se*. Por aqui, a gente chama isso de “**Se Sair de Problema**”[4](#footnote-4).

![dois gatos dormingo num vaso de plantas numa calçada, ao lado deles um monte de berimbau](https://msmelo.art.br/content/images/2026/10/52c9c9bd-a90c-409a-9e62-905ce33a3bb9_4128x2322-jpeg.jpg)

Planta rara no Pelourinho.

Esse é o *pulo do gato*: Salvador já pratica isso há séculos. Basta reparar como algumas pessoas atravessam as faixas de pedestre olhando pro chão como se a calçada fosse um tratado diplomático. Pois é: Miéville só formalizou o que todo soteropolitano sabe desde o descobrimento do **óculos escuro às oito da noite**.

## 2\. A Geografia do Desvio (Fatos) 🏃🏾‍♀️‍

O prefeito que se auto intitula [PIVETE DO CALABAR](https://www.bnews.com.br/noticias/politica/pivete-do-calabar-bruno-reis-explica-frase-que-virou-meme-nas-redes-sociais.html?ref=msmelo.art.br) (uma localidade humilde e deveras perigosa), mesmo tendo claramente morado na Barra e não ter nenhuma cara de quem tem *streetwise* ou foi, algum dia, humilde na vida, [aumentou em quase 600% o valor da tarifa do Elevador Lacerda](https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2025/01/30/aumento-na-passagem-do-elevador-lacerda.ghtml?ref=msmelo.art.br). Para os turistas.

A decisão fez com que *gringos* e *sulistas*[5](#footnote-5) tenham que subir e descer entre as cidades alta e baixa **sem se misturar**. É uma espécie de *sincretismo social* **para evitar o choque entre as camadas invisíveis da sociedade baiana**. 

Os turistas não enxergam os moradores, os moradores não enxergam as pessoas pedindo ajuda nas ruas e todos, sem exceção, fingimos não reconhecer aquela *criatura* que estudou com a gente décadas atrás para evitar a fadiga de relembrar o passado. Ou pior: adivinhar o seu nome.

Estudos, que não posso linkar aqui pois aconteceram na outra cidade, — a paralela, a que *desvemos* — indicam que **73% dos soteropolitanos já fingiram não reconhecer alguém no carnaval** **para evitar conversas esquisitas**. Já para 95% dos turistas, não existe problema algum urinar na porta de alguém durante festejos populares, já que eles acontecem na rua e ninguém quer jogar conversa fora, bater na porta de um desconhecido, ouvir suas lamentações, tudo isso para solicitar usar o sanitário da pessoa. A complicação para conseguir sair sem precisar aceitar um convite para o café ou dar um tempo para não ficar na cara que você não está nem aí para aquela pessoa, só queria usar seus aposentos, é o maior empecilho.

![pneus empilhados com a frase escrita em tinta branca "A cidade é um manto de futuro sobre o que era verde"](https://msmelo.art.br/content/images/2026/10/1ddf2120-e3ae-4251-b5bd-c1f539fb3065_3472x4640-jpeg.jpg)

Um axioma numa exposição do Museu de Arte Moderna da Bahia.

Existem lugares que cobram para o uso do sanitário, mas 87% dos foliões se mostraram contrários a essa ideia. Segundo eles, **o dinheiro precisa ser investido em álcool e outras substâncias não recomendadas no** **livro de Jeová**. Já para 64% dos entrevistados, entrar num banheiro químico seria o mesmo que aceitar que a vida não tem sentido e o melhor seria mesmo ficar em casa.

## 3\. Astigmatismo Social Quântico (Referências) 👓

Quando cursava Sistemas de Informação na Universidade Católica do Salvador, decidi investigar por que certas pessoas (como um colega nosso, *Vico*) c**onseguiam beijar de 30 a 50 bocas por dia**, enquanto eu colecionava desdém, frases cortantes e olhares de “*se enxergue menino*”. Era como se todas as outras pessoas assumissem a **Síndrome de Sheila** ao me ver. Eu e um amigo cujo apelido vou evitar escrever neste horário, montamos um experimento social em meados dos anos 00: seguir Vico no bloco “Eu Vou” para decifrar suas táticas.

O plano era simples, o**bservar o galante em ação e mimetizar todos os seus movimentos** (zigue-zague dentro da corda do bloco, frases táticas de “vou pegar uma cerveja” seguida de tentativas de fuga), tudo isso para absorver o seu *quantum seductus*.

Só que a física quântica, essa ordinária, nos pregou uma peça. Pela **Teoria da Observação Nubilosa**, formulada por mim após sete horas perseguindo Vico pelo Campo Grande, “*o ato de observar um fenômeno social ao lado do objeto observado altera o seu resultado”*. Metaforicamente falando, Vico era um elétron livre (beijando 30 ou mais pessoas), mas nossa presença o transformou num próton estático como a gente: **beijos = 0**.

Claro, ele culpou o colapso da função que, se derivada, tenderia a menos infinito, por conta da minha ação ao apresentá-lo para algumas colegas minhas: “*Você me apresentou com meu nome completo, porra*! *Ludovico não pega ninguém*, *aí você me quebra*” (quanticamente falando).

*Desver não é só ignorar pessoas, é apagar realidades inteiras.* **(MIÉVILLE, China),**

Enquanto o bloco dançava ao som de **Ricardo Chaves**, *Soterópolis* (onde estávamos) se tornou um vácuo da sedução. O caso foi tão emblemático que a **UFALBA** (Universidade Federal do Astigmatismo Lúdico da Bahia) publicou um artigo chamado “*Quando Você Vira a Sheila do Carnaval: Invisibilidade e Fiasco em Sistemas Caóticos*”, citando Ludovico como “*partícula perdida no espaço-tempo da terça-feira de Carnaval*”.

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![pintura The Lovers" (René Magritte). Duas pessoas com panos brancos na cabeça se beijando](https://msmelo.art.br/content/images/2026/10/ff3ee4d8-6c75-4022-85ff-9039aec18ece_900x676-jpeg.jpg)

The Lovers" (René Magritte).

É sabido que **Salvador exige protocolos para além da compreensão rasa**. Se este texto fosse um mapa de qualquer uma das capitais baianas, ele teria mais becos sem saída que a retórica dos conservadores fascistas (*a redundância se faz necessária nas duas cidades)*.

**A Cidade e a Cidade nos ensina que, às vezes, a melhor forma de enxergar é desver**.

Treine o seu astigmatismo, assuma uma miopia que nunca teve, domine o zigue-zague geopolítico do Elevador Lacerda e, se tudo falhar, finja ser um turista que não fala português — ou melhor, seja a própria Sheila. Funciona para escapar de qualquer *barca furada*[6](#footnote-6): ex-colegas de escola, convites para jantares gratuitos em que vão lhe vender planos de hospedagem para lugares que você nunca irá e, mais ainda, “*se sair*” da própria física quântica.

E se você chegou até aqui se perguntando “*que viagem é essa?*”, saiba que foi exatamente isso que Ludovico me disse quando percebeu que eu e meu colega não desistiríamos de segui-lo naquele dia no Carnaval dentro de um bloco elitista soteropolitano (Vico, se estiver lendo isso me desculpe. Ou não. *Desver* é mais fácil).

Caso não consiga “desver¨ este post, amaldiçoe uma pessoa compartilhando ele. Seja você o próprio agente quântico.

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1. **🐊 Na cocó** \- Expressão derivada de “Crocodilagem”, *estar na cocó* é quando a figura assume uma posição estratégica de baixa visibilidade, semelhante a forma como os crocodilos se camuflam na água antes do bote fatal. Mais que um estado de prontidão sorrateira, *estar na cocó* é aguardar, tramar, maquinar, esperar o momento certo para agir. Seja num ato de criar uma cilada para outrem, uma enganação ou simplesmente a fina arte da dissimulação. [↩](#footnote-anchor-1 "Jump back to footnote 1 in the text.")
2. **🤳🏾 Charlar** \- Ato ou efeito de se sentir tão confortável a ponto de ultrapassar o limiar do bem-estar a fim de avançar para a zona da ostentação casual. Quem está *charlando* precisa demonstrar que ultrapassou os limites do bem estar. A pessoa desfila, esbanja confiança, interage como se fosse superior a todos os outros reles mortais. Não pode ser confundido com autoconfiança exacerbada já que, quem *charla*, está se sentindo em casa. Onde quer que esteja. [↩](#footnote-anchor-2 "Jump back to footnote 2 in the text.")
3. 😵 Fudeu Maria Preá - Também usado como *Morreu Maria Preá*, a expressão *Fudeu Maria Preá* é empregada quando alguma situação chegou ao seu ponto de não retorno. Não tem mais jeito, *fudeu* de verdade. É irreversível. Maria Preá, enquanto figura linguística, é o axioma do *não tem mais jeito* ou *já era* com dendê. [↩](#footnote-anchor-3 "Jump back to footnote 3 in the text.")
4. 📤 Se sair - Ato ou efeito de se eximir de uma situação, alegando não ser ela de sua responsabilidade e/ou culpa, podendo vir acompanhada, para maior ênfase, das expressões "de bolo" ou "de problema". Em outras palavras, é a velha instituição do “pular fora” de uma dificuldade, porém temperado com dendê e pimenta, aplicado à realidade baiana.  
Quando colocada no modo imperativo implica em conselho, aviso ou mesmo ameaça. Exemplo \[carrega no sotaque\] *se saia de problema, vu pivete*? *Num lhe diguénada! (* **LEAL, Lionel** *)* [↩](#footnote-anchor-4 "Jump back to footnote 4 in the text.")
5. 🗺️ Sulistas - “Abaixo da linha do Tocantins, é tudo Sul” (MAXIMUS, André). Enquadramento geográfico não aleatório. Uma resposta direta ao olhar homogeneizador com que o Nordeste é tratado. Se para cima do mapa "somos todos nordestinos”, independentemente do estado (são nove!), para nós, do lado de cá, qualquer um abaixo do traço imaginário do Tocantins recebe o contra selo: sulista. Sudeste, Sul, Centro-Oeste? Tudo a mesma coisa. É apenas uma questão de reciprocidade, reparação histórica. [↩](#footnote-anchor-5 "Jump back to footnote 5 in the text.")
6. 🌊 Barca furada - Uma das expressões mais lúdicas baianas, a barca furada suplantou o estado de metáfora e se tornou literal durante as comemorações dos 500 anos de Descobrimento do Brasil quando tentaram reconstruir uma réplica da Nau Capitânia. E o que aconteceu? Claro, o projeto não só atrasou como naufragou. Ou seja, mesmo com cinco séculos de avanço tecnológico, a barca furou. Mais literal que isso impossível.  
Transcendendo do conceito, barca furada é aquele esquema duvidoso, aquela promessa vazia, o convite para um evento que já nasce fadado ao fracasso. Sabe quando aquele alarme soa na sua cabeça e você fica na dúvida? Desconfie: pode ser uma *barca*, ou *esquema furado*. [↩](#footnote-anchor-6 "Jump back to footnote 6 in the text.")